sábado, 25 de dezembro de 2021

The Square (A Arte da Discórdia, 2017) | Dir: Ruben Östlund

 

 
 
Christian é um pedante e egocêntrico gerente de uma galeria de arte contemporânea em Estocolmo. O negócio não anda lá muito bem e ele precisa dar novos ares ao local. Para isso, decide expor uma instalação polêmica que causará constrangimento generalizado. The Square é uma produção sueca que dialoga diretamente com o humor estranho do cinema de Yorgos Lanthimos. Baseado na vergonha alheia, tem momentos de gargalhar, mas você não tem certeza se deveria estar rindo de tais absurdos. Embora tenha uns 25 minutos além do necessário, e se perder da premissa em diversos momentos, The Square é indicado aos fãs de filmes esquisitos e pessoas com um senso de humor excêntrico.

Sons of Sam (Minissérie Netflix)

 

 

Quando o serial Killer David Berkowitz é preso, a polícia de Nova York acredita ter solucionado o caso do Filho de Sam. Porém, o jornalista Maury Terry suspeita que um culto esteja ligado às mortes e dedica a vida a provar sua teoria. Sons of Sam é um exercício de especulação. Entretanto, a narrativa e as evidências aqui são tão bem colocadas que é muito difícil não concordar com Terry. De bônus, a série possui um acervo gigante de imagens da Nova York decadente dos anos 1970. Toda a sujeira e profanação urbana reforça o caráter pessimista da obra. Ah, e são apenas quatro episódios.

Censor (2021) | Dir: Prano Bailey-Bond

 

 
Em 1985, Enid trabalha para o órgão de censura do governo da Inglaterra cortando filmes considerados obscenos, violentos ou que possam ferir a moral e conduta inglesa. Esses filmes, em sua maioria longas de horror, formam a famigerada lista dos Video Nasties. Enid em meio a isto vive uma tragédia pessoal, sua irmã fora sequestrada na infância, e seguidamente ela tem gatilhos do passado enquanto assiste aos vídeos. Um filme em especial, Don't Go in The Church, irá despertar em Enid pistas sobre o caso do desaparecimento. Censor homenageia a fase áurea das videolocadoras e do cinema gore através de recortes de clássicos da época, referências visuais e não se limita a isso. É um trabalho, que embora previsível, se sustenta bem em sua duração. Para saber mais sobre Video Nasties, assista Ban The Sadists Videos! (2005) no Tubi

terça-feira, 26 de maio de 2020

O Depredador (The Prey, 1984) | Dir: Edwin Brown


Por Maurício Castro

O que acontece quando um diretor de filmes pornô decide pegar carona na onda dos slasher movies? Se você apostou numa obra-prima do subgênero, errou feio. O que temos nesse caso é The Prey, uma tranqueira que pode ser considerado o slasher de acampamento mais arrastado da história!

Sexta-Feira 13 e The Burning, de 1981, renderam muitas cópias. Muitas bem divertidas, algumas que até superam esses dois filmes, mas é incontestável que muito lixo saiu desse formato. Entre essas "podreiras" temos O Depredador (e esse título nacional?! Jesus!).

Como dito acima, o diretor Edwin Brown viu num filme de terror B (bota B nisso) a oportunidade de traçar rumos mais artísticos em sua carreira, saindo do underground pornô e ganhando as telas convencionais. Seria assim, se The Prey tivesse algumas qualidade fílmica. Okey, esse texto está sendo muito duro com a obra, mas ela merece.

A premissa é o de sempre, jovens vão acampar e são atacados por criatura da floresta que foi vítima de um acidente na infância. Um "feijão com arroz", que se fosse modesto na sua construção narrativa renderia um resultado decente como Madman, de 1982, um exemplar de slasher vagabundo, mas divertido.

The Prey teve dois cortes finais. O que eu conferi é o mais longo, pra piorar o que já é sofrível. Essa versão conta com um flashback de quase meia-hora, expositivo e apelativo, afinal, beira o softcore e serve apenas para mostrar uns peitinhos. O outro, deus me livre, nem putaria tem. O restante do longa é preenchido com animais silvestres mostrados em plano detalhe (tipo um documentário do Animal Planet) e cenas aleatórias de personagens matando tempo, numa delas o policial florestal conta uma piada para um cervo! Sim, esse é o nível de The Prey!

O tal Slasher do longa acontece mesmo nos dez minutos finais. Aí tu me pergunta: Opa! Mas aí vira um filmaço? Te respondo: Merda nenhuma! Vira uma vergonha alheia maior ainda! O "monstro" (vivido pelo veterano Carel Struycken, de Twin Peaks e Jogo Perigoso) é uma decepção só. Assim como tudo em The Prey. Assista numa noite de insônia.

quinta-feira, 2 de abril de 2020

O Dentista (The Dentist, 1996) | Dir: Brian Yuzna


Por Mauricio Castro
Desde a época das videolocadoras, quando cruzava pela fita VHS na prateleira do terror, que tenho curiosidade de assistir O Dentista, filme do porra-louca Brian Yuzna. Nunca aluguei a fita para conferir, seja por ter outras prioridades, ou por mero esquecimento mesmo. Afinal, quem teve o privilégio de entrar em uma loja dessas nos anos 90's sabe que era difícil manter o foco frente a tantas ofertas cinematográficas (ok, com o passar do tempo descobrimos que eram meia duzia de filmes de qualidade duvidosa, mas era sim, encantador). Corta para 2020, e eis que o advento da internet, e o serviço de streaming, me permitem preencher essa lacuna.

Yuzna é responsável por algumas pérolas do cinema tranqueira como A Noiva de Re-Animator, Society e o subestimado drama-romântico-sadomasoquista A Volta dos Mortos-Vivos 3. Filme que tem muitos detratores, mas eu considero uma obra mal compreendida até hoje, porém, em outra ocasião conversamos sobre ele. Sendo assim, eu tinha grandes expectativas com O Dentista, em parte pela nostalgia e curiosidade da infância, e de resto pelo meu histórico medo da sala de odontologia. Só de pensar no motor da broca e do aço cirúrgico dos aparelhos eu fico desconfortável. 

Em O Dentista revisitamos mais uma vez o batido (e bota batido nisso) argumento: sujeito excêntrico à beira da loucura não diferencia mais realidade e fantasia, se tornando um psicopata violento. Nos dias de hoje eu não aguento mais essa abordagem... apesar que fui ver Coringa no cinema, fui mesmo! Mas O Dentista é um filme de 1995, então, abrimos uma exceção. 

O doutor Alan Feinstone leva o perfeccionismo e a polidez como lema de vida. O amor pelas belas artes e música clássica, somada ao requinte da vestimenta formam de sua persona um erudito indefectível. Porém, a infidelidade de sua esposa irá disparar o alarme para uma jornada de demência e pesadelo. 

O Dentista é vendido como um slasher de humor negro. E até entrega em parte esse material. Contada em flashback, a obra opta pela psique do protagonista em surto e sua obsessões ao invés de mortes criativas e piadas absurdas. Aqui falamos sobre a interpretação de Corbin Bernsen, que leva tão a sério o personagem do doutor, que até nos esquecemos que se trata de um despretensioso filme B , tamanha entrega ao papel. O trabalho de Bernsen é o melhor do filme. Não que falte gore e nojeiras em O Dentista. As cenas de tortura em plano detalhe incomodam sim, e a maquiagem, apesar de precária, não decepciona. Pena que para chegar até essas cenas a gente tenha que esperar por uma hora de conflitos psicológicos e um roteiro (co-escrito pelo mestre recém-falecido Stuart Gordon, dos Lovecraftianos Re-Animator e From Beyond) que se perde na sua narrativa, cria situações desnecessárias e abandona personagens sem dar maiores satisfações. 

Earl Boen e Virginya Keehne

O elenco conta ainda com o sempre carismático Earl Boen, figura clássica da série Terminator, e com um iniciante Mark Ruffalo, dando seus primeiros passos como agente de uma modelo... ou miss-qualquer-coisa. Já a direção de fotografia fica a cargo de Jurgen Baum, constante colaborador das produções vagabundas de Jim Wynorski.

O Dentista não é nem de longe o melhor trabalho de Brian Yuzna, mas alcançou status de cult entre os admiradores dos filmes B. Cumpre bem o papel de um Thriller psicológico e rende bons momentos se visto entre amigos em companhia de umas cervejas geladas, um baseado, e pizza de calabresa. Só não esqueça de escovar os dentes antes de dormir. 


efeitos práticos


domingo, 8 de setembro de 2019

Pecado Horizontal (1982) | Dir: José Miziara - Crítica



Por Mauricio Castro

Em 1982, a pornochanchada já mostrava sinais de esgotamento. Começavam a ganhar terreno os filmes hardcore e a comédia perdia espaço para o sexo explícito. Porém, é nesse tempo crepuscular, no clima de "fim de festa", é que José Miziara nos entrega a deliciosa comédia erótica Pecado Horizontal. 

A premissa é um fio de roteiro: os primos Marcos, Bruno e Guina se encontram após 15 anos no casamento do pai de Guina. Entre encarar a cerimônia ou ir pro bar colocar o papo em dia, eles obviamente, escolhem a segunda opção. A partir daí temos uma contação de histórias, em flashback, da vida de cada um, sempre tendo mulheres como tema central. São três contos recheados de mulher pelada, humor escatológico, e piadas tão politicamente incorretas que certamente renderiam processos e "textão" na internet se esse filme fosse lançado no dias de hoje. 

O Elenco conta com as musas deliciosas Zilda Mayo e Matilde Mastragi. E sim, elas aparecem nuas em pelo em boa parte do longa. Sem isso, qual a graça, né? O diretor José Miziara é um rosto bem conhecido do grande público, afinal, durante anos fez parte do elenco de A Praça é Nossa, do SBT. Assim como Clayton Silva, também presente no filme e outra figura clássica do programa infame do Carlos Alberto.

Pecado Horizontal é uma comédia acima da média, se sustenta pelo humor, e se completa com a putaria. 









sábado, 7 de setembro de 2019

Rebelião nas Galáxias (Slave Girls from Beyond Infinity, 1987) | Dir: Ken Dixon - Crítica


Por Mauricio Castro

Duas garotas em trajes minúsculos fogem de uma prisão interestelar e acabam caindo no planeta dominado por um rico excêntrico chamado Zed (que aliás, é a cara de Christian Bale em O Psicopata Americano), cujo passatempo é caçar seus hóspedes. É isso, ou não. Afinal só fui descobrir que essa era premissa após uma hora de filme.

Rebelião nas Galáxias (título nacional) traz no seu DNA a escola Jim Wynorski de cinema. Ou seja, a formula: Gostosas + Peitos de Fora + Efeitos Toscos = Humor Involuntário.
Porém, nada do que escrevo acima qualifico como um demérito. Pelo Contrário, Slave Girls from Beyond Infinity é o tipo de obra que apreciamos neste blog. 

O melhor de Rebelião nas Galáxias é seu elenco, no caso, as garotas. Afinal, temos a chance de conferir a beleza de Elizabeth Kaitan, a Robin de Sexta-feira 13, parte 7: A Matança Continua. No mais, abra uma cerveja e divirta-se.