quinta-feira, 27 de julho de 2023

Gator Bait (Isca Perigosa, 1974) | Dir: Beverly Sebastian



Por Maurício Castro.

Desiree Thibodeau (a playmate da Playboy de Novembro de 1969, Claudia Jennings) é uma espécie de Juma Maruá dos pântanos da Lousiana. Leva uma vida pacata ao lado do casal de irmãos mais novos, e se alimenta de crocodilos caçados à unha. Numa tarde, Desiree sofre um ataque do jovem policial Billy Boy (que também é filho do Xerife local) e o caipira Ben. A dupla acha que será fácil "dar umazinha" com a selvagem, mas levam a pior. Na ocasião, Billy mata o amigo acidentalmente, porém, a história que chega aos ouvidos o Xerife é outra. A moça é tida como culpada do incidente, e agora é vítima de uma caçada mato adentro, promovida pela família capira do morto, pelo Xerife e seu filho. Porém, esses homens não sabem que Desiree é quase um Rambo de saias, ou melhor, de shortinho jeans, e conheçe o pântano como ninguém. Gator Bait mistura diversos estilos de Explotaition e acaba sendo uma experiência bem divertida. Sua curta duração ajuda no ritmo e sua trilha sonora de Cajun Music e Zydeco animam as perseguições de barco. Em 1988, foi lançada a sequência: Gator Bait II - Cajun Justice. Fique agora com as fotos de Claudia Jennings peladinha na revista Playboy.na resta Playboy






A Comunidade (La Comunidad, 2000) | Dir: Álex de la Iglésia.



 Por Maurício Castro

Julia (Carmen Maura, ganhadora do Goya pelo papel) é uma corretora de imóveis picareta que costuma usar apartamentos da imobiliária em benefício pessoal. Numa dessas ocasiões, o morador do andar de cima morre, com direito a visita de bombeiros e corre corre na vizinhança. Julia descobre que o quarto do falecido guarda uma grande quantia em dinheiro, porém, ela não é a única a saber disso. Em A Comunidade, Álex de la Iglésia cria uma comédia de situações absurdas e humor mórbido. Misturando elementos de terror e suspense, A Comunidade é um filme menor do diretor do (maravilhoso) El Dia de La Bestia, porém, divertido e competente.

Blood Games (1990) | Dir: Tanya Rosenberg



Por Maurício Castro

A festa de aniversário de Roy, um brucutu sulista com pinta de Kevin Sorbo, é um acontecimento local, ao menos em seu meio Redneck. Por ser filho de um veterano de guerra, muito influente na região, toda a qualidade de degenerados, tarados e pervertidos comparecem ao evento. Para animar o dia, o time feminino de Baseball "Babe & The Ball Girls" é desafiado pelos convidados para uma partida "amistosa" valendo a quantia de mil dólares ao vencedor. As garotas usam uniformes curtos que a cada corrida deixam à mostra seus dotes físicos. E mesmo com as investidas violentas da equipe masculina, as moças saem vitoriosas. Porém, o pai de Roy tem seu ego machista afetado pela derrota, e se nega a pagar sua dívida. O treinador das "Ball Girls" munido de um revólver, decide cobrar a dívida, um ato que irá desencadear em violência e vingança. A partir desse ponto temos a perseguição de uma gangue de caipiras às moças, que bordo do seu ônibus lutam pela sobrevivência pelas estradas do sul. 


Blood Games é uma homenagem aos exploitations dos anos 70 em sua essência. Resgatando subgêneros como rape and revenge, women in prison e hicksploitation, o longa usa de todos os artíficios sórdidos de produções antigas numa roupagem noventista. Ou seja, se obras como I Spit in Your Grave, Gator Bait e Big Bird Cage lhe ofendem, passe longe de Blood Games. Afinal, o filme é gráfico em materia de violência sexual e misoginia. Contudo, você será recompensado com uma vingança de mesmo nível e verá muito macho escroto se fudendo. 

Tanya Rosenberg tem apenas Blood Games em sua breve carreira na direção. E sua abordagem na temática pode ser muito comparada a Slumber Party Massacre. Calma, explico. Assim como o slasher de 1982, o longa de Tanya mostra mulheres fortes, tendo que se unir contra a violência masculina, ao mesmo tempo em que as explora focando muito em peitos de fora, bundas e quase, um nu frontal. Ou seja, assim como o exploitations clássicos, usa a "força feminina" como pretexto para uma velha e boa putaria. 

A revista Variety, em edição de 18 de Março de 1991, definiu Blood Games como "uma entrada atraente, mas desinteressante para os fãs de vídeo, observando que a direção de Tanya Rosenberg estava "abaixo da média" e que o "elenco é atraente, mas nunca convincente como atletas. A atuação geralmente é ruim". Acho que discordamos da revista, pois Blood Games se mostra sim, uma boa diversão, claro, se você estiver acostumado com a linguagem apelativa e não queria problematizar um longa dos anos 1990.


Como curiosidade, a filha do diretor brasileiro Carlos Manga está no elenco. Creditada como Paula Hunter, Paula Manga protagoniza uma das cenas mais cruéis de Blood Games. Mais tarde a atriz faria novelas globais, como Deus nos Acuda e Kubanacan, e em 1993, posaria pelada na revista Sexy. Infelizmente não encontramos fotos do ensaio para satisfazer sua curiosidade. 

Paula Manga


segunda-feira, 4 de abril de 2022

Benedetta (2021) | Dir: Paul Verhoeven

 


Antes de começar essa sinopse, lhe pergunto: você se considera um defensor (ou defensora) da moral e dos bons costumes? Acredita na trindade deus, pátria e família? Bom, se você respondeu sim, essa sinopse não é para você, assim como, Benedetta não é um filme para você.

Bom, agora que ficamos a sós, você e eu, podemos começar a falar de freiras lésbicas, satanismo e imagens de santa usadas como dildo. Eu avisei. Você está aqui por vontade própria.

Baseado no livro Atos Impuros, de Judith C. Brown, o longa de Paul Verhoeven recria o primeiro caso de romance homoafetivo registrado pela igreja católica. Benedetta Carlini ainda na infância é deixada num convento como pagamento da promessa feita pelo pai. Nos primeiros momentos, Benedetta já se mostra um ponto fora da curva. Tem visões nada santas com a figura de Jesus e desejos que nada condizem com uma noviça. Com a chegada de uma estranha ao local, eventos estranhos irão acontecer e o moralismo católico cairá sobre Benedetta com toda sua força.


Benedetta foi vendido como “o filme que chocou Cannes” (ô turminha que se choca nesse festival, hein). Contudo, realmente, Benedetta é um filme que não se assiste com a família no sofá numa tarde de domingo. E digamos que, sutileza não é o forte de Paul Verhoeven. O sexo e o sangue no longa não se escondem. Ótimo filme para uma dobradinha com The Devils, do Ken Russell.



Titane (2021) | Dir: Julia Ducornau

 


Após Raw ter chocado as plateias mais sensíveis nos festivais europeus e espectadores incautos da Netflix, Julia Ducornau retorna com mais um longa esquisito, indigesto e muito interessante.

Quando criança, Alexia é vítima de um acidente de carro, tendo que implantar uma placa de Titânio na cabeça. Os anos passam e Alexia trabalha com performances de dança em eventos automotivos. Alexia é uma celebridade nesse meio underground. Acumula admiradores, alguns deles bem excêntricos, diga-se de passagem. 


A relação de Alexia com o meio automobilístico vai além da profissão. Ela tem uma atração carnal pelo seu carro, chegando a consumar relações sexuais com a máquina. Numa dessas ocasiões, Alexia engravida do veículo. Sim, isso mesmo que você leu! Não se preocupe, toda a sinopse até agora são apenas os minutos iniciais do longa. Tanto que, um dos defeitos do filme é justamente abandonar quase completamente essa premissa ao longo de sua duração.

Titane parece uma colcha de retalhos que une em uma produção três roteiros totalmente distintos tentando liga-los através de uma linha narrativa. Porém, falta equilíbrio para lidar com tanta informação. Temos aqui um filme sobre paternidade, serial-killers e... uma mulher que transa com um carro.

Mesmo mal resolvido, Titane tem momentos brilhantes (destaque para a cena da festa do corpo de bombeiros ao som de Lighthouse, do grupo Future Islands). O longa tem em seu subtexto debates que vão além de sua aparente excentricidade. Masculinidade tóxica, luto, maternidade, no fundo, sob a camada da estranheza, Titane é sobre essas coisas. 



sábado, 25 de dezembro de 2021

Os Mansos (1972) | Dir: Braz Chediak, Pedro Carlos Rovai e Aurelio Teixeira).

 

 

Uma trilogia de histórias cujo tema em comum é (como o nome já entrega) o corno. A primeira (e melhor) se resume a uma piada clássica sobre bunda, com Sandra Bréa e José Lewgoy. A segunda, se destaca pela presença de Paulo Coelho no papel principal! Isso mesmo, o autor de bestsellers faz aqui um marido que se recusa a aceitar o chifre. A terceira, e mais fraca, mostra um trio de amigos se dando mal na noite carioca. Uma curiosidade: numa cena de boate, toca (na íntegra) Rock and Roll, do Led Zeppelin, e um trecho de Black Dog na sequência. Óbvio que Robert Plant e sua turma nunca devem ter visto um tostão desse uso.

The Exterminator (1980) | Dir: James Glikenhaus.

 

 

Na época de seu lançamento, Roger Ebert definiu The Exterminator como "um exemplo doentio da quase inacreditável descida à selvageria macabra nos filmes americanos". John e Michael são veteranos do Vietnã que trabalham em um depósito de alimentos. Após evitar o assalto de uma gangue, Michael é agredido em represália e fica paraplégico. Agora, John vai vingar seu amigo, e por tabela, executar todo criminoso que cruzar seu caminho. Indo muito mais longe que Taxi Driver e Hardcore, de Paul Schrader, The Exterminator eleva o nível de uma Nova York suja, violenta, punk e obscena. Sutileza aqui não tem vez. Mafiosos jogados em moedor de carne, abusadores incinerados, ou seja, cinema exploitation raiz e sem medo.

The Amusement Park (1973/2019) | Dir: George Romero

 

 

Considerado perdido até 2017, Amusement Park ganhou uma remasterização em 4K, além de lançamento e distribuição pela Shudder. Romero havia sido contratado pela Lutheran Society of Western Pennsylvania para realização de um longa educativo sobre abuso aos idosos. O que seria um trabalho institucional, nas mãos de Romero, se transforma em um delírio de humor ácido, psicodélico e absurdo. Um exploitation raiz, disfarçado de filme educativo, tipo Alice in Acidland, lembra? Amusement Park é nesse momento meu filme favorito de George Romero, e muito compreensível que tenha sido um projeto engavetado, pois ainda hoje, é um filme bem estranho.

Animales Humanos (2020) | Dir: Lex Ortega.

 

 

Em um condomínio de luxo, um casal e sua filha pequena sofrem constantemente com o inconveniente cachorro dos vizinhos. Jagger é um capa-preta hostil, e os donos, ativistas radicais da causa animal, são relapsos quanto a disciplina do bichano. A situação se torna insustentável quando Jagger morde a criança. Os pais da menina pedem providências da segurança pública, ato que resulta na execução do cão. Agora a família terá que lidar com a vingança dos donos. O longa mexicano que inicialmente pretende abrir uma discussão "criança vs animal" se torna um horror de invasão a domicílio, caindo no lugar comum e nas saídas fáceis e batidas do gênero. Principalmente na falta de perspicácia tanto das vítimas quanto dos vilões. Porém, os efeitos de gore salvam o longa e pode ser uma produção bem incomoda aos mais sensíveis com o tema animal. Disponível no Prime Vídeo.

The Velvet Underground (2021) | Dir: Todd Haynes.

 

 

Com uma narrativa entre o convencional e o experimental, o documentário de Todd Haynes (Velvet Goldmine e Não Estou Lá) recebeu elogios em Cannes. O longa é contado a partir de áudios antigos de membros já falecidos (Reed, Yule e Morrison) e entrevistas com John Cale e Moe Tucker. Enquanto isso, rolam cenas dos filmes de Andy Warhol e imagens raras da banda em shows. O resultado é um rima visual que capta toda a estranheza e genialidade da banda. Abordando os quatro álbuns (ignorando o oportunista Squeeze, lançado por Yule e sem nenhum membro original), a saída de Cale, que tornaria o som mais palatável e comercial após White Light/White Heat, as experiências traumáticas de Lou Reed com eletrochoques na adolescência, tudo isso em meio a bares gays, becos sujos de Nova York e a música de vanguarda de La Monte Young. Aprovado por esse fã de carteirinha que vos escreve.

Freaky - No Corpo de um Assassino (2020) | Dir: Christopher B. Landon

 

 

Produção da Blumhouse que segue a ideia de Sexta-Feira Muito Louca, ou para nós, brasileiros, Se Eu Fosse Você. Um serial killer imparável ataca uma jovem com uma adaga enfeitiçada. Apesar da garota sobreviver, seus corpos são trocados no dia seguinte. Mesmo com a premissa boba e o roteiro cheio de conveniências, Freaky tem momentos hilários e o um gore extremo. Vince Vaughn está ótimo como uma menina de 15 anos de dois metros. Boa mistura de slasher e comédia de sessão da tarde.

The Square (A Arte da Discórdia, 2017) | Dir: Ruben Östlund

 

 
 
Christian é um pedante e egocêntrico gerente de uma galeria de arte contemporânea em Estocolmo. O negócio não anda lá muito bem e ele precisa dar novos ares ao local. Para isso, decide expor uma instalação polêmica que causará constrangimento generalizado. The Square é uma produção sueca que dialoga diretamente com o humor estranho do cinema de Yorgos Lanthimos. Baseado na vergonha alheia, tem momentos de gargalhar, mas você não tem certeza se deveria estar rindo de tais absurdos. Embora tenha uns 25 minutos além do necessário, e se perder da premissa em diversos momentos, The Square é indicado aos fãs de filmes esquisitos e pessoas com um senso de humor excêntrico.

Sons of Sam (Minissérie Netflix)

 

 

Quando o serial Killer David Berkowitz é preso, a polícia de Nova York acredita ter solucionado o caso do Filho de Sam. Porém, o jornalista Maury Terry suspeita que um culto esteja ligado às mortes e dedica a vida a provar sua teoria. Sons of Sam é um exercício de especulação. Entretanto, a narrativa e as evidências aqui são tão bem colocadas que é muito difícil não concordar com Terry. De bônus, a série possui um acervo gigante de imagens da Nova York decadente dos anos 1970. Toda a sujeira e profanação urbana reforça o caráter pessimista da obra. Ah, e são apenas quatro episódios.

Censor (2021) | Dir: Prano Bailey-Bond

 

 
Em 1985, Enid trabalha para o órgão de censura do governo da Inglaterra cortando filmes considerados obscenos, violentos ou que possam ferir a moral e conduta inglesa. Esses filmes, em sua maioria longas de horror, formam a famigerada lista dos Video Nasties. Enid em meio a isto vive uma tragédia pessoal, sua irmã fora sequestrada na infância, e seguidamente ela tem gatilhos do passado enquanto assiste aos vídeos. Um filme em especial, Don't Go in The Church, irá despertar em Enid pistas sobre o caso do desaparecimento. Censor homenageia a fase áurea das videolocadoras e do cinema gore através de recortes de clássicos da época, referências visuais e não se limita a isso. É um trabalho, que embora previsível, se sustenta bem em sua duração. Para saber mais sobre Video Nasties, assista Ban The Sadists Videos! (2005) no Tubi

terça-feira, 26 de maio de 2020

O Depredador (The Prey, 1984) | Dir: Edwin Brown


Por Maurício Castro

O que acontece quando um diretor de filmes pornô decide pegar carona na onda dos slasher movies? Se você apostou numa obra-prima do subgênero, errou feio. O que temos nesse caso é The Prey, uma tranqueira que pode ser considerado o slasher de acampamento mais arrastado da história!

Sexta-Feira 13 e The Burning, de 1981, renderam muitas cópias. Muitas bem divertidas, algumas que até superam esses dois filmes, mas é incontestável que muito lixo saiu desse formato. Entre essas "podreiras" temos O Depredador (e esse título nacional?! Jesus!).

Como dito acima, o diretor Edwin Brown viu num filme de terror B (bota B nisso) a oportunidade de traçar rumos mais artísticos em sua carreira, saindo do underground pornô e ganhando as telas convencionais. Seria assim, se The Prey tivesse algumas qualidade fílmica. Okey, esse texto está sendo muito duro com a obra, mas ela merece.

A premissa é o de sempre, jovens vão acampar e são atacados por criatura da floresta que foi vítima de um acidente na infância. Um "feijão com arroz", que se fosse modesto na sua construção narrativa renderia um resultado decente como Madman, de 1982, um exemplar de slasher vagabundo, mas divertido.

The Prey teve dois cortes finais. O que eu conferi é o mais longo, pra piorar o que já é sofrível. Essa versão conta com um flashback de quase meia-hora, expositivo e apelativo, afinal, beira o softcore e serve apenas para mostrar uns peitinhos. O outro, deus me livre, nem putaria tem. O restante do longa é preenchido com animais silvestres mostrados em plano detalhe (tipo um documentário do Animal Planet) e cenas aleatórias de personagens matando tempo, numa delas o policial florestal conta uma piada para um cervo! Sim, esse é o nível de The Prey!

O tal Slasher do longa acontece mesmo nos dez minutos finais. Aí tu me pergunta: Opa! Mas aí vira um filmaço? Te respondo: Merda nenhuma! Vira uma vergonha alheia maior ainda! O "monstro" (vivido pelo veterano Carel Struycken, de Twin Peaks e Jogo Perigoso) é uma decepção só. Assim como tudo em The Prey. Assista numa noite de insônia.

quinta-feira, 2 de abril de 2020

O Dentista (The Dentist, 1996) | Dir: Brian Yuzna


Por Mauricio Castro
Desde a época das videolocadoras, quando cruzava pela fita VHS na prateleira do terror, que tenho curiosidade de assistir O Dentista, filme do porra-louca Brian Yuzna. Nunca aluguei a fita para conferir, seja por ter outras prioridades, ou por mero esquecimento mesmo. Afinal, quem teve o privilégio de entrar em uma loja dessas nos anos 90's sabe que era difícil manter o foco frente a tantas ofertas cinematográficas (ok, com o passar do tempo descobrimos que eram meia duzia de filmes de qualidade duvidosa, mas era sim, encantador). Corta para 2020, e eis que o advento da internet, e o serviço de streaming, me permitem preencher essa lacuna.

Yuzna é responsável por algumas pérolas do cinema tranqueira como A Noiva de Re-Animator, Society e o subestimado drama-romântico-sadomasoquista A Volta dos Mortos-Vivos 3. Filme que tem muitos detratores, mas eu considero uma obra mal compreendida até hoje, porém, em outra ocasião conversamos sobre ele. Sendo assim, eu tinha grandes expectativas com O Dentista, em parte pela nostalgia e curiosidade da infância, e de resto pelo meu histórico medo da sala de odontologia. Só de pensar no motor da broca e do aço cirúrgico dos aparelhos eu fico desconfortável. 

Em O Dentista revisitamos mais uma vez o batido (e bota batido nisso) argumento: sujeito excêntrico à beira da loucura não diferencia mais realidade e fantasia, se tornando um psicopata violento. Nos dias de hoje eu não aguento mais essa abordagem... apesar que fui ver Coringa no cinema, fui mesmo! Mas O Dentista é um filme de 1995, então, abrimos uma exceção. 

O doutor Alan Feinstone leva o perfeccionismo e a polidez como lema de vida. O amor pelas belas artes e música clássica, somada ao requinte da vestimenta formam de sua persona um erudito indefectível. Porém, a infidelidade de sua esposa irá disparar o alarme para uma jornada de demência e pesadelo. 

O Dentista é vendido como um slasher de humor negro. E até entrega em parte esse material. Contada em flashback, a obra opta pela psique do protagonista em surto e sua obsessões ao invés de mortes criativas e piadas absurdas. Aqui falamos sobre a interpretação de Corbin Bernsen, que leva tão a sério o personagem do doutor, que até nos esquecemos que se trata de um despretensioso filme B , tamanha entrega ao papel. O trabalho de Bernsen é o melhor do filme. Não que falte gore e nojeiras em O Dentista. As cenas de tortura em plano detalhe incomodam sim, e a maquiagem, apesar de precária, não decepciona. Pena que para chegar até essas cenas a gente tenha que esperar por uma hora de conflitos psicológicos e um roteiro (co-escrito pelo mestre recém-falecido Stuart Gordon, dos Lovecraftianos Re-Animator e From Beyond) que se perde na sua narrativa, cria situações desnecessárias e abandona personagens sem dar maiores satisfações. 

Earl Boen e Virginya Keehne

O elenco conta ainda com o sempre carismático Earl Boen, figura clássica da série Terminator, e com um iniciante Mark Ruffalo, dando seus primeiros passos como agente de uma modelo... ou miss-qualquer-coisa. Já a direção de fotografia fica a cargo de Jurgen Baum, constante colaborador das produções vagabundas de Jim Wynorski.

O Dentista não é nem de longe o melhor trabalho de Brian Yuzna, mas alcançou status de cult entre os admiradores dos filmes B. Cumpre bem o papel de um Thriller psicológico e rende bons momentos se visto entre amigos em companhia de umas cervejas geladas, um baseado, e pizza de calabresa. Só não esqueça de escovar os dentes antes de dormir. 


efeitos práticos


domingo, 8 de setembro de 2019

Pecado Horizontal (1982) | Dir: José Miziara - Crítica



Por Mauricio Castro

Em 1982, a pornochanchada já mostrava sinais de esgotamento. Começavam a ganhar terreno os filmes hardcore e a comédia perdia espaço para o sexo explícito. Porém, é nesse tempo crepuscular, no clima de "fim de festa", é que José Miziara nos entrega a deliciosa comédia erótica Pecado Horizontal. 

A premissa é um fio de roteiro: os primos Marcos, Bruno e Guina se encontram após 15 anos no casamento do pai de Guina. Entre encarar a cerimônia ou ir pro bar colocar o papo em dia, eles obviamente, escolhem a segunda opção. A partir daí temos uma contação de histórias, em flashback, da vida de cada um, sempre tendo mulheres como tema central. São três contos recheados de mulher pelada, humor escatológico, e piadas tão politicamente incorretas que certamente renderiam processos e "textão" na internet se esse filme fosse lançado no dias de hoje. 

O Elenco conta com as musas deliciosas Zilda Mayo e Matilde Mastragi. E sim, elas aparecem nuas em pelo em boa parte do longa. Sem isso, qual a graça, né? O diretor José Miziara é um rosto bem conhecido do grande público, afinal, durante anos fez parte do elenco de A Praça é Nossa, do SBT. Assim como Clayton Silva, também presente no filme e outra figura clássica do programa infame do Carlos Alberto.

Pecado Horizontal é uma comédia acima da média, se sustenta pelo humor, e se completa com a putaria. 









sábado, 7 de setembro de 2019

Rebelião nas Galáxias (Slave Girls from Beyond Infinity, 1987) | Dir: Ken Dixon - Crítica


Por Mauricio Castro

Duas garotas em trajes minúsculos fogem de uma prisão interestelar e acabam caindo no planeta dominado por um rico excêntrico chamado Zed (que aliás, é a cara de Christian Bale em O Psicopata Americano), cujo passatempo é caçar seus hóspedes. É isso, ou não. Afinal só fui descobrir que essa era premissa após uma hora de filme.

Rebelião nas Galáxias (título nacional) traz no seu DNA a escola Jim Wynorski de cinema. Ou seja, a formula: Gostosas + Peitos de Fora + Efeitos Toscos = Humor Involuntário.
Porém, nada do que escrevo acima qualifico como um demérito. Pelo Contrário, Slave Girls from Beyond Infinity é o tipo de obra que apreciamos neste blog. 

O melhor de Rebelião nas Galáxias é seu elenco, no caso, as garotas. Afinal, temos a chance de conferir a beleza de Elizabeth Kaitan, a Robin de Sexta-feira 13, parte 7: A Matança Continua. No mais, abra uma cerveja e divirta-se. 




sábado, 22 de junho de 2019

Kickboxer 4: O Agressor (Kickboxer 4: The Agressor, 1994) | Dir: Albert Pyun - Crítica


Por Mauricio Castro

Entre tantos filmes da franquia Kickboxer, por que escolhemos falar logo do número quatro? Ora bolas, por que nesse blog gostamos de filmes de qualidade duvidosa e que mesmo sendo considerados "ruins" tem um bom valor de entretenimento. E kickboxer 4 é uma tranqueira muito divertida!

Após o filme de estréia, aquele clássico com Van Damme, muitas produções picaretas se aproveitaram para usar o termo kickboxer (e distribuidoras brasileiras também!). Porém, Kickboxer de verdade, os "canônicos", são os que acompanham a saga da família Sloan lutando contra  o perverso Tong Po. 

Nesta quarta parte, dirigida por Albert Pyun (De Cyborg - O Dragão do Futuro e Kickboxer  2) temos o irmão mais novo da família Sloan, David, preso (sabe-se lá por que!!!) relembrando os fatos ocorridos nos primeiros três filmes. Os irmãos foram mortos e sua esposa sequestrada por Tong Po (que agora se tornou um traficante no México, puta merda!).

a reação de Tong Po ao ver Kickboxer 4: O Agressor


Tong Po realiza anualmente, no dia de finados, um campeonato de artes marciais (no melhor estilo Grande Dragão Branco) para... na verdade não fica muito claro o sentido desse campeonato existir. O vencedor leva um milhão de dólares, mas enfim, Tong Po é um rico excêntrico e deve gostar de ver sangue.

Ao saber do campeonato, a inteligência policial liberta David Sloan (wtf!!!) para investigar o esconderijo de Po, e também, salvar sua amada (que já está nas mãos do vilão há dois anos!!!).

Tong Po, deixou de lado os torneios para virar um gângster cafona. O ator que o interpretava (Michel Quissi) não quis retornar ao papel, sendo substituído por Kamel Krifa, um personal trainer e amigo de infância de Jean-Claude Van Damme. 

Aqui precisamos abrir um parênteses para falarmos sobre a maldita caracterização de Tong Po. Na intenção (preguiçosa) de deixa-lo parecido com Michel Quissi, lhe foi colocada uma máscara (sim, uma merda de uma máscara!) e quilos de maquiagem, o fazendo parecer o charlatão Walter Mercado.


O elenco de Kickboxer 4 conta com um figura bem conhecida dos fãs de horror. O braço direito do vilão é Tom Mathews (o Freddy, de A Volta dos Mortos-Vivos 1 e 2!). Tom está com um ar totalmente canastrão no longa, exibindo uma tatuagem mais falsa que nota de 3 reais no pescoço e nitidamente desenhada com pincel atômico.


Enfim, Kickboxer 4 é uma sequência odiada pelos fãs da franquia, principalmente os que a levam a sério (como se isso fosse possível). O próprio filme tem momentos de seriedade que beiram a vergonha alheia, e tenta ser realista nas lutas, porém, é impossível não dar risada com o nível de bobagens em tela. E justamente esses "deméritos" que me fazem ser um apreciador deste quarto capítulo de uma série de valor bem duvidoso.


CURIOSIDADES:

- O bar no qual David Sloan arma o maior quebra-pau aparece no 11º episódio da segunda temporada de Twin Peaks, "Masked Ball".


- O Roteirista David Yorkin, que assina Kickboxer 4 ao lado de Albert Pyun, é filho de Bud Yorkin, produtor dos dois filmes Bladerunner.

- Um cena de Stealth, protagonizada por Sloan, tem a única intenção de mostrar um ménage à trois (bem explícito, aliás). Procure a versão sem cortes.


terça-feira, 11 de junho de 2019

Deodato Holocaust (2019) | Dir: Felipe M. Guerra


Por Mauricio Castro

A 15ª edição do Fantaspoa (Festival de cinema fantástico de Porto Alegre) nos brindou com gratas surpresas. A presença do mestre Roger Corman e Christina Lindberg (sim, a  musa de Thriller - A Cruel Picture) deixou os fãs do cinema exploitation em polvorosa. E na sessão de abertura tivemos um ótimo documentário sobre um cineasta que amamos muito: Ruggero Deodato. Este também esteve presente na sessão que o homenageou. Comentando o longa, e como sempre irreverente e resmungão (rs).

O Cineasta tem sua carreira revisitada e contada por ele mesmo. Ao contrário de documentários que são formados a partir de um coro de vozes, Deodato Holocaust aposta no narrador único e confia no ponto de vista do próprio autor sobre sua obra.  Apesar disso, temos certos momentos de questionamentos e críticas em "off", afinal, a obra de Ruggero tem suas polêmicas (sim, a velha lenga-lenga da tartaruga...).

Apesar do título, Deodato Holocaust não usa o clássico filme de canibal como seu carro-chefe. A filmografia de Ruggero é abordada de forma homogênea e bem equilibrada. The House on the Edge of the Park, Raiders of Atlantis, o começo no cinema clássico italiano, a parceria com a Cannon, a amizade com David Hess... O que vemos em tela é um homem apaixonado pela sétima arte, um mestre quando se trata de do it yourself.

Vamos torcer que Deodato Holocaust siga no circuito de festivais e receba todo o reconhecimento que merece. E vida longa a Ruggero Deodato!